domingo, 6 de abril de 2008

Capítulo 2

Ele chegou cansado e com a respiração pesada ao seu apartamento no quarto andar em um prédio da rua Siqueira Campos. Abriu a porta sem fazer barulho e olhou para dentro do seu apartamento escuro. Eram 2 horas da manhã e, exceto pela luz do aquário, o apartamento estava um breu. Ele ligou a luz da sala e seguiu em direção ao banheiro. Quando se olhou no espelho, viu em seu rosto um sorriso que teimava em não desaparecer escondido por uma barba por fazer.
O detetive Arnaldo Pereira tivera um dia duro. Passou o dia todo percorrendo as ruas do Méier com um de seus colegas da 23a atrás de um assaltante de banco. O sorriso aumentou e ele pensou no mérito da sua investigação dos últimos dois meses. E teve certeza de que amanhã algum superior levaria o crédito pela sua investigação.
Ele desabotoou a camiseta e a despiu. Ficou passeando apenas de calça jeans pela sala. Ligou o rádio e colocou um bom cd de samba. Com 29 anos, Pereira tinha um belo corpo desenhado pelas corridas matinais na orla da Av. Atlântica. Ele era alto, com olhos castanhos, cabelo um pouco ralo e escuro e um sorriso branco que deixava as meninas do seu prédio desnorteadas.
Enquanto abria a geladeira pensava na sua folga em pleno feriado: “Show na praia e eu não tenho que ir fazer plantão... Tudo que eu pedi a Deus!”. Pegou um copo de iogurte e quando se sentou no sofá o seu celular tocou.
“Pereira?”
“É ele.”
“Aqui é o Jéferson. A parada é a seguinte...”
Pereira coçou a cabeça e pensou: “Lá vem merda.”
“Mataram uma patreca agora a pouco.”
“Ham? E eu com isso? Hoje é minha folga pô... deixa eu descansar!”
“Tá... sei que hoje é o meu plantão. Sei que eu que tenho que pegar essas investigações... mas a menina era filha de um político da cidade ai... o cara tá sabendo do seu êxito em pegar o assaltante sem rosto... ele falou pro Coronel que qué tu na parada, copiou?”
“Caceta! Me ferrei... logo na minha folga... me fala ai... onde é que fizeram o serviço?”
“Ai é que tá o pior, cara. Foi na Feira dos Paraíbas. Outra jurisdição. Os caras não vão querer nem colaborar com a campanha...”
“Já tem urubu lá? Quantos manés?”
“Cara... tá contigo. Corre lá... Sei que o Marcondes e o Silva da delegacia de São Cristóvão já tão lá.”
“Valeu cara... vou precisar de ajuda... fica ligado por ai.”
Pereira terminou de tomar o seu iogurte, pegou uma camisa nova e desceu pelas escadas até a portaria, atravessou a rua e pegou o seu Uno 93, que milagrosamente havia estacionado em frente ao seu prédio. Ligou o rádio e saiu em direção a Figueiredo de Magalhães, pegou o túnel velho e se dirigiu para o local do crime.